domingo, 13 de setembro de 2009

EM PÚBLICO


Eu quero a letra que sua.
Eu quero o leito que soa.
(Poesia feita carne)

Beber teu corpo feito vida;
Tragar, do copo, o puro vinho;
Trazer, da vinha, a bela musa.

Musa linda,
Musa ainda,
Mais ainda.

Bem vinda, boa vida!

Boa vida?...
Tocar,
Tecer romance
Com pelos impúblicos
Da pele imberbe.
Moça pedra leve:
Pele que ressoa;
Pelo que me entoa.

Nacanoa...
Nacanoa...
Nacanoa...

(Na Carne, refiz o Verbo)





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sábado, 29 de agosto de 2009

(à Maíra Belintani).
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A felicidade menina
Se aninha
No alegre menino

E a mina toda se alumia
De alegria
Que anima


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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O CAMINHO DAS PEDRAS
(à máh luporini)
Pedrinha miudinha
Pedrinha da Luanda ê
Lajedo tão grande
Tão grande na Luanda ê
(Domínio Público)


E uma pedra me rolou
numa noite dessas
Foi desejo, foi amor
numa noite dessas
Com poema e sem calor
numa noite dessas
Teve festa de sabor
numa noite dessas
Fiz da pele cobertor
numa noite dessas
E uma estrela despertou
numa noite dessas

E uma pedra me rolou
numa noite dessas
Pedra viva me rolando
nesse monte acima
O GATO
(à Cris Benati)



O Gato me acompanha desde a tenra infância.
Em minha Terra infame, dEle se dizia:
“Não há, nEle, moral, lealdade ou constância.
Apenas pra obter comida é que nos mia”.

Porém, os do Lugar donde o Som e a Fragrância,
Por vezes, ‘inda me invadem, causando-me apatia,
Jamais puderam ver a verdadeira ânsia
Do Espírito sublime afeito a mordomia.

Espírito criado em carinho e fineza.
Espírito soprado em corpo delicado;
Felino e solitário, é noturno de fato.

Com leves passos pardos, anda com firmeza;
Calcula cada ato, só pra ser amado.
E assim, é bom dizer: “Delgado e belo o Gato".
p.s. sei q demorei pra postar, cris, mas é q tive um dia de garfield ontem.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

ACRÓSTICO


Minha síntese é sim,
Árvore oriental:
Há séculos me orienta.

Longa poesia te compõe.
Um poema curto se refaz;
Poetas desfeitos em rimas,
Ondas, pedras, paredes,
Rumos e Pessoa.
'Inda deságuo nesse mar
Navegado por símbolos
Isomórficos do sem fim.

terça-feira, 28 de julho de 2009

ARRITMIA
"Ora!" (direis) "Ouvir estrelas!? Certo pedete o senso".

Olavo Bilac


...minha Estrela?

Já não sei se ainda
é minha Estrela,
ou se é mais estrela.
Mas sei que ainda brilha,
mesmo não sendo minha.

Quem ouve estrelas
e perde o senso,
saberá me ouvir:
saberá me entender.

Quem ainda sabe
conjugar sem verbo,
me verá pulsar,
e viverá
em arritmia temporal.

Meu coração vive
onde as coisas não mudam.
Por isso ele não palpita...
Por isso ele me carrega
pra fora do tempo,
pra Via Láctea...
onde se ouvem estrelas,
onde minha Estrela
ainda brilha.
Mesmo não sendo minha!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

MINHA PRIMEIRA VEZ


Ainda me lembro, quando menino,
Me disseram que precisaria te conhecer
Pra poder crescer.
Entrei em ti como se te invadisse,
Como se não precisasse de ti.
Me recebeste com exigências,
E fui displicente,
E fui incômodo,
E fui o que precisava,
E fui o que precisavas.
Mas
Eu era pequeno como a cidade a tua volta.
Eu era pequeno como eras na forma.
Eu era pequeno, pois devia não ser.
Então
Colocastes uma de suas partes a meu lado.
Toquei-a
Senti-a
Despi-a
E se abriu outro mundo a minha frente:
O silêncio mais sonoro;
O branco e preto mais colorido;
A paz mais violenta;
O ritmo mais caótico;
O impulso mais racional
- universo inverso.
Entraste em mim como se me invadisse.
E eras grande pra cidade à tua volta.
E eras grande como eu pensava ser.
E eras grande como eu quero ser.
Por isso
Te busco em cada lugarejo,
Em toda metrópole.
No afã de ser invadido por cada uma de suas nuas
Palavras.
E ainda trago, na testa, gravado o teu nome:

BIBLIOTECA MUNICIPAL